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Adolescente denunciou tortura e ameaça de estupro contra policiais
Caso é antigo e só veio à tona por causa do estupro de uma mulher na delegacia de Sorriso

Por Redação
Publicado Há 1 h
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Uma jovem de 17 anos formalizou uma denúncia contra policiais civis e militares de Sorriso (420 km de Cuiabá) no Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT). Ela afirma ter sido vítima de sequestro, tortura física e psicológica, além de ameaça de estupro com uma arma, quando tinha apenas 14 anos de idade. Os supostos abusos teriam em janeiro de 2024, quando uma equipe policial a abordou em sua casa durante as investigações de um homicídio.

De acordo com o relato detalhado enviado ao MP, no dia 12 de janeiro de 2024, uma semana antes de completar 15 anos, a adolescente foi acordada em sua casa, no bairro Novo Horizonte, pela cunhada, que informou sobre a presença de policiais. Ao se aproximar do portão, viu uma caminhonete branca com três agentes, entre eles um delegado, que tirou uma foto dela sem apresentar qualquer mandado.

Mesmo sem a exibição de um documento judicial, mais policiais, incluindo integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), entraram na residência. A jovem foi interrogada sobre o paradeiro do corpo de uma vítima de homicídio, que ela disse não ter conhecimento. A agressão verbal rapidamente se tornou física sendo que um policial do Bope a teria atingido com um objeto contendo um litro de água. O delegado presente, segundo a denúncia, a enforcou e ameaçou: "Não faça eu quebrar a sua cara". Outro agente teria dito que iria "quebrar o braço dela".

A adolescente foi algemada e colocada à força na caminhonete branca. Durante o trajeto para um matagal, os quatro policiais que a conduziam a agrediram e fizeram ameaças de violência sexual, sugerindo o uso do cano de uma metralhadora para "abusar dela".

No interior da mata, a tortura continuou. Os agentes utilizaram um pedaço de madeira para bater violentamente em seus pés, enquanto a imobilizavam. Um deles pisou em seu cabelo e outro tentou afogá-la usando um pano molhado. Sob intensa coação, a garota acabou fornecendo uma informação falsa, indicando seu irmão e um amigo como autores do crime o que, segundo ela, era uma mentira extorquida pelo terror.

Após a sessão de tortura, ela foi levada à delegacia, onde viu seu irmão e avô. O irmão foi preso, sob alegação de posse de arma e drogas. A jovem foi liberada por volta das 23h, sem seu celular, que foi apreendido. No dia seguinte, em 13 de janeiro de 2024, ela já havia procurado o Ministério Público para relatar toda a violência sofrida. Foi orientada a realizar exame de corpo de delito na Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). 

ESTUPRO

O  caso veio à tona após a Polícia Civil de Mato Grosso concluir o inquérito que apurou o crime de estupro de uma mulher praticado por um investigador, de 52 anos, dentro da delegacia de Sorriso. O servidor foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade, após exames periciais confirmarem o abuso sexual. O inquérito foi remetido ao Poder Judiciário e Ministério Público para prosseguimento da ação penal.

Na primeira quinzena de dezembro de 2025, a delegacia de Sorriso recebeu requisição do Ministério Público, noticiando que uma mulher teria sido abusada sexualmente no interior da unidade policial por um investigador de polícia, enquanto estava presa. O fato teria ocorrido enquanto a mulher se encontrava custodiada em razão do cumprimento de um mandado de prisão temporária numa investigação sobre crime de homicídio.

Fonte: folhamax