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Orçamentos públicos irreais comprometem obras e geram prejuízos em Rondônia

Por Redação
Publicado Há 1 h
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Um dos pontos mais contundentes debatidos no PodRondônia – Podcast da Engenharia foi a fragilidade dos orçamentos públicos e o uso de tabelas que não refletem a realidade regional da construção civil em Rondônia.

Durante a entrevista, o engenheiro Giuliano Borges foi direto ao destacar a importância do planejamento financeiro nas obras.

“O orçamento é o cheque que você dá para a obra. Se estiver errado, não tem volta.”

A frase resume um problema estrutural que impacta diretamente empresas, gestores públicos e, principalmente, a sociedade.

Grande parte dos contratos públicos utiliza tabelas de referência nacionais para compor preços. No entanto, Rondônia possui características logísticas e econômicas muito específicas:

  • Distâncias elevadas entre municípios
  • Dependência de insumos vindos de outros estados
  • Custo elevado de transporte
  • Diferenças regionais significativas dentro do próprio estado

Quando o orçamento ignora essas variáveis, cria-se uma distorção que pode comprometer toda a execução da obra.

Um orçamento subestimado gera consequências graves:

  • Empresas trabalham com margem negativa
  • Obras sofrem atrasos
  • Contratos precisam de aditivos
  • Empreendimentos são paralisados
  • Conjuntos habitacionais ficam inacabados

O resultado é prejuízo financeiro e desgaste institucional.

Em muitos casos, empresas assumem contratos acreditando na viabilidade inicial, mas enfrentam dificuldades ao longo da execução por conta de preços que não cobrem o custo real da construção.

Um dos exemplos apontados durante o debate foi a ausência de diferenciação regional nas tabelas de preço.

Materiais que possuem o mesmo valor de referência na capital podem ter custo muito superior em municípios mais distantes, devido ao frete e à logística.

Sem a devida atualização e regionalização dos valores, o orçamento torna-se uma estimativa fictícia, distante da prática.

Quando uma obra pública enfrenta desequilíbrio financeiro, a administração também sofre:

  • Processos administrativos se prolongam
  • Fiscalizações se intensificam
  • Há risco de judicialização
  • O cronograma é comprometido

Isso gera atrasos na entrega de escolas, hospitais, fóruns, unidades de saúde e infraestrutura básica.

A população é a principal prejudicada.

Outro ponto levantado no episódio foi a importância de profissionais experientes na elaboração dos orçamentos.

A construção civil envolve inúmeras variáveis práticas: produtividade, logística, perdas de material, complexidade técnica e mão de obra especializada.

Quando o orçamento é feito sem vivência real de obra, aumenta-se o risco de distorções.

A engenharia é fundamentada em cálculo, precisão e responsabilidade técnica.

Um orçamento bem estruturado:

  • Garante previsibilidade financeira
  • Reduz risco de paralisações
  • Protege a empresa contratada
  • Protege o gestor público
  • Assegura a entrega à sociedade

Sem essa base sólida, a obra já nasce fragilizada.

O debate aponta para a necessidade de:

  • Atualização constante das tabelas de referência
  • Regionalização realista dos custos
  • Participação técnica qualificada na elaboração orçamentária
  • Diálogo permanente entre setor público e setor produtivo

Mais do que um detalhe burocrático, o orçamento é o alicerce da obra.

Quando ele falha, toda a estrutura corre risco.

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