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Estudantes recebem orientações para prevenir e combater bullying e cyberbullying em ação do MPRO; saiba como identificar o problema
No Brasil, três em cada 10 adolescentes afirmam já terem sofrido bullying por raça, aparência, religião, gênero, moradia ou condição financeira, segundo aponta pesquisa divulgada do IBGE em 2025. O dado revela o tamanho de um problema que ganha contornos ainda maiores na internet, espaço que amplia e potencializa os danos dessa prática. Nesta terça-feira (1º/4), o Ministério Público de Rondônia (MPRO), em parceria com a Safernet Brasil, realizou ação de conscientização sobre o problema, em formato presencial e online, atingindo mais de duas mil pessoas em todo o Estado.
O evento foi transmitido pelo canal da instituição no YouTube, com participação virtual de escolas estaduais e municipais, que assistiram à transmissão realizada presencialmente no auditório do MP, na capital, onde estiveram presentes estudantes das escolas Carmela Dutra, Duque de Caxias, Ulisses Guimarães e São Sebastião, de Porto Velho. A ação, sob a coordenação do Núcleo de Atendimentos às Vítimas (Navit) e do Grupo de Atuação Especial da Educação (Gaeduc), marcou o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, instituído pela Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015.
O representante da ONG Safernet Brasil, Guilherme Alves, falou de bullying e sua modalidade virtual – ciberbullying, enfatizando que o ambiente das redes amplifica a violência, tornando-as mais visível e difundida e, portanto, mais danosa.
Conforme explicou, a prática de bullying consiste em intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais.
Em 2024, a Lei nº 14.811, de 12 de janeiro, alterou o Código Penal para tipificar casos de bullying e cyberbullying como crimes. O autor da violência pode ser punido com multa ou com dois a quatro anos de prisão, se o crime for praticado por meio da internet.
O maior rigor na penalidade tem explicação: de acordo com o palestrante, a prática adquire um efeito multiplicador e de grandes proporções quando ocorre no ambiente virtual. Nessa modalidade de bullying, tecnologias como celulares e câmeras fotográficas, além de ambientes digitais — especialmente as redes sociais —, são utilizadas para produzir, veicular e disseminar conteúdos de insulto, humilhação e violência psicológica, gerando intimidação e constrangimento entre os envolvidos.
Guilherme Alves mencionou aspectos que ajudam a caracterizar tanto o bullying quanto o ciberbullying:
- Comportamento intencional de perturbar, intimidar e/ou agredir;
- Repetição ao longo do tempo;
- Desequilíbrio de poder.
Conforme explicou representante da Safernet, pelo menos 30% dos casos relatados têm meninas como vítima.
Buscando orientar os adolescentes, Guilherme Alves discorreu sobre novos riscos que surgem no ambiente virtual, apontando o surgimento de ferramentas de Inteligência Artificial (IA); proliferação de subculturas de violência extrema; cultura de influenciadores e a popularização de jogos de azar - bets, como ameaças ao bem-estar emocional de crianças e jovens.
Chamando atenção para a corresponsabilidade dos atores sociais no enfrentamento do problema, o palestrante fez uma reflexão sobre a configuração da prática de bullying, afirmando que esse tipo de conduta envolve três agentes: a vítima, a testemunha e o autor da prática. Assim, recomendou condutas para hipóteses em que os adolescentes se encontrem em quaisquer das três situações:
Vítima:
- Entender que não é culpada;
- Buscar ajuda;
- Não revidar;
- Denunciar na plataforma e adulto de confiança.
Testemunha/observador:
- Não ficar em silêncio;
- Apoiar quem sofre a agressão;
- Não revidar;
- Denunciar na plataforma e adulto de confiança.
Autor do bullying:
- Reconhecer o erro;
- Buscar apoio para mudar a conduta.
Como denunciar ou pedir ajudar: denuncie.org.br; canaldeajuda.org.br
Coordenação – Ao fazer a abertura do evento, a coordenadora do Gaeduc, Promotora de Justiça Luciana Ondei Rodrigues, agradeceu a mobilização de várias escolas, superintendências e secretarias municipais de educação dos 52 municípios na participação do evento. “A educação é uma construção, que precisa da atuação de todos, incluindo estudantes e professores”, destacou.
Também presente, a coordenadora do Navit, Promotora de Justiça Tânia Garcia, ressaltou que as violências se potencializam em ambientes como a internet, sendo necessária a formulação de um pensamento crítico e reflexivo, por parte da sociedade, para a proteção de crianças e adolescentes nesses espaços. “É importante que os jovens tenham desenvolvimento pleno e saudável. Juntos, podemos contribuir para a execução de condutas que garantam uma vida livre de violações a meninos e meninas do nosso Estado”.
Fonte: MP/RO