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Como a cassiterita e o ouro transformaram Rondônia em potência Mineral
Muito antes do avanço do agronegócio e da consolidação urbana, foi a mineração que impulsionou o desenvolvimento econômico de Rondônia. Durante a estreia do RuralCast em parceria com o SENGE/RO, o engenheiro geólogo Amilcar Adamy revisitou os anos decisivos que moldaram o perfil mineral do estado.
Chegando à Amazônia em 1972, quando Rondônia ainda era território federal, Adamy integrou uma das primeiras equipes técnicas do então recém-criado Serviço Geológico do Brasil (na época CPRM). O cenário que encontrou era de intensa atividade garimpeira, especialmente voltada à exploração da cassiterita — minério do qual se extrai o estanho.
“A cassiterita foi o grande motor econômico de Rondônia naquele período. Era o carro-chefe da arrecadação e da atividade mineral”, relembrou.
O FIM DO GARIMPO E A CRIAÇÃO DA PROVÍNCIA ESTANÍFERA
Nos anos 1970, milhares de garimpeiros atuavam em Rondônia. A exploração era manual e desorganizada. Em 1971, o governo federal extinguiu oficialmente o garimpo tradicional, criando a chamada Província Estanífera de Rondônia.
A medida reorganizou o setor e abriu espaço para a entrada de grandes empresas de mineração.
“O fim do garimpo gerou um impacto social enorme, mas foi o ponto de partida para a mineração estruturada no estado.”
Esse período marcou a transição da exploração rudimentar para operações mecanizadas, mais produtivas e tecnicamente controladas.
A DESCOBERTA DE BOM FUTURO
Entre as ocorrências minerais identificadas naquele período, uma das mais importantes foi a região de Bom Futuro, localizada no município de Ariquemes.
A equipe técnica identificou sinais relevantes da presença de cassiterita ainda em meados da década de 1970, quando a área era praticamente intocada.
“Nós cruzamos o Igarapé Santa Cruz e coletamos amostras que indicavam forte presença de cassiterita. Naquele momento, era uma área virgem.”
Anos depois, a jazida se consolidaria como uma das mais relevantes reservas de estanho do Brasil.
O ESTANHO: UM MINERAL ESTRATÉGICO
A cassiterita é composta basicamente por dióxido de estanho (SnO₂). Do beneficiamento desse minério extrai-se o estanho metálico, amplamente utilizado em:
- Soldas eletrônicas
- Indústria automotiva
- Embalagens metálicas (folha de flandres)
- Componentes industriais
Durante décadas, Rondônia figurou como um dos principais produtores de estanho do país.
OURO DO MADEIRA: UMA ORIGEM ANDINA
Além da cassiterita, outro mineral que marcou a história rondoniense foi o ouro.
Segundo Adamy, grande parte do ouro encontrado no Rio Madeira pode ter origem na Cordilheira dos Andes.
“O processo erosivo nos Andes transporta partículas minerais ao longo dos rios. O Madeira recebe esse material carregado de ouro.”
O fenômeno ocorre porque o ouro, mesmo sendo pesado, pode ser transportado em forma de partículas muito finas, misturadas ao sedimento em suspensão.
Esse processo natural ajudou a consolidar o Rio Madeira como uma das frentes garimpeiras mais importantes da região Norte.
DIVERSIFICAÇÃO MINERAL
Embora a cassiterita e o ouro tenham dominado o cenário por décadas, Rondônia começou a diversificar sua produção mineral.
O episódio destacou também:
- Manganês
- Zinco
- Chumbo
- Água mineral
- Pedra ornamental
- Potencial em terras raras
“Rondônia já não é mais apenas cassiterita. A produção mineral está diversificada.”
A diversificação reduz a dependência de um único recurso e amplia as possibilidades econômicas do estado.
TERRAS RARAS E SOBERANIA
Outro ponto abordado foi o debate global sobre terras raras — minerais essenciais para produção de tecnologias como celulares, baterias e equipamentos de alta precisão.
Embora Rondônia ainda não seja grande produtora, estudos indicam potencial geológico.
Adamy defende que o Brasil precisa agregar valor aos seus recursos.
“Não basta exportar matéria-prima. É preciso transformar, industrializar e manter sob controle brasileiro nossas reservas estratégicas.”
A fala reforça o debate sobre soberania mineral e desenvolvimento industrial.
MINERAÇÃO COMO BASE DO DESENVOLVIMENTO
O impacto da mineração vai além da economia direta. A atividade contribuiu para:
- Infraestrutura
- Formação de cidades
- Arrecadação pública
- Consolidação do território
Quando Rondônia se tornou estado, em 1981, a mineração já havia desempenhado papel decisivo na estruturação econômica.
“A mineração foi a base que ajudou Rondônia a se consolidar.”
UMA HISTÓRIA QUE AINDA CONTINUA
Mesmo após décadas de atuação, o setor mineral segue relevante. A discussão atual envolve sustentabilidade, tecnologia e equilíbrio ambiental.
O episódio deixa claro que compreender o passado mineral é essencial para planejar o futuro do estado.
Rondônia não nasceu apenas da floresta.
Nasceu também do subsolo.
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Fonte: Ji-Paraná Notícias