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ASSISTA: Renato Muzzolon defende política técnica para mineração e aponta potencial estratégico de Rondônia
No PodRondônia Podcast Engenharia, convidado afirma que o estado precisa agregar valor aos minérios, recuperar memória técnica e estruturar uma visão de longo prazo para transformar riqueza natural em desenvolvimento
O PodRondônia Podcast Engenharia apresentou uma conversa de alto nível sobre geologia, mineração e desenvolvimento regional. Conduzido por Edison Rígoli, presidente do CREA e engenheiro industrial mecânico, o episódio recebeu Renato Muzzolon, geólogo e engenheiro geólogo, profissional com ampla trajetória no setor mineral e experiência acumulada ao longo de mais de 40 anos de atuação em Rondônia.
Durante a entrevista, Renato relembrou sua formação pela Universidade Federal do Paraná e explicou que chegou a Rondônia em 1980, num momento em que o então território federal vivia forte movimentação ligada à exploração mineral, especialmente da cassiterita. Segundo ele, sua vinda ao estado foi diretamente motivada pelo cenário de expansão da mineração e pela importância econômica que o setor já representava naquele período.
Ao longo da conversa, o convidado destacou a evolução histórica do reconhecimento técnico da profissão, lembrando que, ainda nos anos 1990, já havia recebido o título de engenheiro geólogo, muito antes da equiparação mais recente entre geólogos e engenheiros ganhar força institucional. Para ele, esse reconhecimento representa uma valorização importante de uma formação que sempre teve forte base técnica e conexão com a engenharia.
Um dos pontos centrais do episódio foi a análise sobre Bom Futuro, região que Renato apresentou como um modelo singular de operação mineral no Brasil. Segundo ele, o local desenvolveu ao longo de décadas uma convivência entre grandes produtores mecanizados, médios operadores e garimpeiros manuais dentro de uma mesma estrutura produtiva organizada. “Bom futuro é um modelo de operação mineral, é um modelo pioneiro”, afirmou o entrevistado, ao explicar que essa construção se deu por meio de negociação, conflitos, ordenamento e participação de instituições públicas e privadas.
Renato também ressaltou que o processo de organização da atividade em Bom Futuro envolveu ações sociais importantes, como o enfrentamento ao trabalho infantil e a criação de uma estrutura comunitária mais organizada. “Ele começou erradicando o trabalho infantil”, disse, ao lembrar que houve investimento em escola, jornada ampliada e formação de um tecido social que não existia anteriormente na localidade.
Outro trecho de destaque da entrevista foi a defesa de um novo olhar sobre os rejeitos minerais. O convidado explicou que parte significativa daquilo que antes era descartado hoje pode representar oportunidade estratégica, especialmente diante do valor crescente de minerais como estanho, titânio e elementos de terras raras. Ao comentar o tema, ele observou que Rondônia precisa evitar continuar vendendo apenas matéria-prima e rejeitos sem processamento local, já que isso impede maior agregação de valor e geração de riqueza no próprio estado.
Na avaliação de Renato Muzzolon, Rondônia enfrenta um gargalo histórico de logística, o que compromete a competitividade tanto do setor mineral quanto de outras cadeias produtivas. Ele chamou atenção para o custo de transporte até Manaus e para o peso que isso representa no preço final dos produtos exportados. Para o entrevistado, resolver infraestrutura logística é atacar um problema comum a grandes setores da economia estadual.
Ao discutir o papel do poder público, Renato afirmou que o maior entrave não é apenas político, mas técnico. Segundo ele, falta ao estado capacidade instalada para discutir mineração com profundidade, formular uma política pública estruturada e preservar a memória técnica acumulada nas últimas décadas. Em uma das falas mais fortes do episódio, ele afirmou: “Para mim não é crise, para mim é crise técnica”, ao defender que decisões estratégicas precisam ser tomadas com base em conhecimento especializado.
O convidado também alertou para a perda de profissionais especializados, a dificuldade de reposição de quadros técnicos e o risco de Rondônia deixar escapar oportunidades relevantes justamente por não conseguir manter estrutura qualificada para negociação, planejamento e desenvolvimento industrial do setor mineral. Ele citou ainda a necessidade de o estado se preparar para a nova fase dos minerais críticos e estratégicos, tema cada vez mais relevante no cenário internacional.
No encerramento, Renato reforçou que Rondônia possui um futuro promissor na mineração, mas precisa tratar o setor como política de desenvolvimento, e não apenas como atividade isolada. “Rondônia tem um futuro, tem potencial para área de mineração, mas muito grande”, afirmou. Para ele, transformar esse potencial em resultado concreto exige visão de longo prazo, preparo técnico, capacidade de negociação e uma estrutura pública e institucional mais conectada com os desafios do presente e do futuro.
Fonte: Cacoal Notícias