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REFORMA TRIBUTÁRIA PODE PROVOCAR “INFERNO” NA TRANSIÇÃO PARA PEQUENAS EMPRESAS, ALERTA ECONOMISTA
A reforma tributária brasileira não é apenas uma mudança legislativa. Ela representa uma transformação estrutural no modelo de arrecadação e no funcionamento das empresas. O tema foi analisado em profundidade no PodRondônia Economia, apresentado pelo jornalista e editor do Valor&MercadoRO, Marcelo Freire, com participação do economista Silvio Rodrigues Persivo Cunha.
O diagnóstico é claro: o sistema promete simplificação no longo prazo, mas a travessia até 2033 pode ser o período mais desafiador das últimas décadas para micro e pequenas empresas.
A MAIOR MUDANÇA EM 50 ANOS
O Brasil convive há décadas com um sistema tributário considerado complexo, fragmentado e burocrático. A proposta da reforma é substituir tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois impostos principais: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), além do Imposto Seletivo.
A promessa é simplificação. Porém, a transição será longa e exigirá adaptação profunda.
Segundo o economista:
“Ela será boa quando estiver completamente implementada. Mas a transição será extremamente difícil, principalmente para micro e pequenas empresas.”
Durante esse período, empresários terão que conviver com dois sistemas tributários simultaneamente, o que aumenta o risco de erro, custo contábil e insegurança operacional.
O FIM DO IMPOSTO “POSTERIOR”: AGORA É NA HORA DA VENDA
Uma das mudanças mais impactantes será o chamado “fatiamento” automático. Diferente do modelo atual, onde o empresário recebe o valor total da venda e depois recolhe o imposto, o novo sistema prevê retenção imediata no momento da transação.
Isso altera radicalmente o fluxo de caixa.
A retenção automática significa menos capital de giro disponível, exigindo planejamento financeiro rigoroso, controle de estoque eficiente e gestão integrada.
Empresas que operam com margens apertadas sentirão o impacto primeiro.
O DESPREPARO QUE PREOCUPA
Dados citados durante a entrevista revelam um cenário alarmante:
- 97% das empresas brasileiras não estão preparadas
- 69% sequer iniciaram processo de adaptação
- Em Rondônia, 92% afirmam não estar prontas
- 75% não fizeram nenhum movimento concreto
- O problema não é apenas tributário. É estrutural.
Grande parte das microempresas brasileiras ainda mistura finanças pessoais com empresariais, opera com controle informal de estoque e utiliza o contador apenas para cumprir obrigações fiscais.
“A reforma obriga o fim do amadorismo.”
A digitalização será obrigatória. Sistemas ERP deixarão de ser opção e passarão a ser necessidade básica de sobrevivência.
O CONTEXTO MACROECONÔMICO: CRESCIMENTO FRÁGIL
O debate não se limita à reforma tributária. O economista também destacou o cenário macroeconômico nacional.
A previsão de crescimento do PIB na casa de 1,2% é considerada insuficiente para um país do tamanho do Brasil.
“Para o Brasil, crescer 1% é praticamente estagnação.”
Crescimento baixo significa menor geração de renda, menor consumo e menos margem para absorver impactos tributários.
Além disso, o aumento do gasto público e da dívida pública reduz a confiança de investidores internacionais.
“Um país que não controla sua dívida pública compromete seu desenvolvimento.”
Em um ambiente de insegurança jurídica e instabilidade global, o capital estrangeiro tende a buscar mercados considerados mais seguros.
RONDÔNIA: CRESCE, MAS DEPENDE DO AGRO
Rondônia apresenta desempenho acima da média nacional, impulsionado principalmente pelo agronegócio. No entanto, a economia estadual ainda é altamente dependente de duas cadeias produtivas consolidadas: soja e carne.
Outros setores enfrentam desafios estruturais:
Piscicultura
O estado já ocupou posição de destaque nacional na produção de tambaqui, mas perdeu competitividade por falta de consolidação industrial e assistência técnica.
Café e Cacau
Embora premiados pela qualidade, ainda não possuem escala suficiente para consolidar exportações estruturadas.
“Não basta produzir. É preciso fechar a cadeia produtiva.”
A industrialização e a agregação de valor continuam sendo gargalos para o desenvolvimento regional sustentável.
O DESAFIO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
A reforma tributária exige planejamento interno nas empresas, mas também impõe responsabilidade aos gestores públicos.
Sem políticas de incentivo estruturadas, industrialização regional e ambiente de negócios competitivo, a carga tributária simplificada não será suficiente para gerar desenvolvimento.
A equação é clara:
Reforma + ambiente econômico frágil + despreparo empresarial = risco elevado no curto prazo.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O Brasil caminha para um novo modelo tributário. A promessa de simplificação existe. Mas o período de transição será determinante.
Empresas que se anteciparem, investirem em gestão, tecnologia e planejamento terão vantagem competitiva.
As que ignorarem a mudança podem enfrentar dificuldades severas.
O alerta está dado.
A pergunta que permanece é:
os empresários de Rondônia estão preparados para atravessar essa longa transição?
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Fonte: Cacoal Notícias