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PIB BAIXO, DÍVIDA ALTA E INSEGURANÇA JURÍDICA: ECONOMISTA ALERTA PARA RISCO DE ESTAGNAÇÃO NO BRASIL
O Brasil atravessa um momento de crescimento frágil e incerteza econômica. A avaliação foi feita pelo economista Silvio Rodrigues Persivo Cunha durante entrevista ao PodRondônia Economia, apresentado pelo jornalista e editor do Valor&MercadoRO, Marcelo Freire.
Segundo o especialista, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1% a 1,2% para o próximo período não representa avanço real para um país com o porte e o potencial do Brasil.
“Para o Brasil, crescer 1% é praticamente estagnação.”
A afirmação não é apenas retórica. Ela se baseia em fundamentos econômicos estruturais.
Crescimento baixo significa perda de fôlego
Em economias emergentes, taxas de crescimento abaixo de 2% costumam indicar dificuldade de expansão produtiva. Isso ocorre porque parte do crescimento é absorvida pelo aumento populacional e pela necessidade de reposição do capital produtivo.
Máquinas se desgastam. Estruturas precisam ser renovadas. A população cresce. Se o PIB não acompanha esse ritmo, o país apenas mantém o que já existe — não avança.
No entendimento do economista, o cenário atual aponta para um país com capacidade produtiva limitada e ambiente de negócios fragilizado.
Gasto público e dívida pressionam o futuro
Outro ponto destacado foi o crescimento da dívida pública. Mesmo com recordes de arrecadação, o aumento das despesas tem superado a receita, ampliando o endividamento.
“Um país que não controla sua dívida pública compromete seu desenvolvimento.”
O problema central não é apenas o tamanho da dívida, mas a percepção de risco. Quanto maior a incerteza fiscal, maior o custo de financiamento para o governo e para o setor privado.
Isso impacta diretamente juros, crédito e investimentos.
O efeito da instabilidade internacional
O episódio também abordou o cenário global, incluindo conflitos internacionais e tensões comerciais.
Segundo o economista, momentos de instabilidade fazem com que investidores internacionais busquem mercados considerados mais seguros.
“Quando há insegurança, o dinheiro deixa de fluir para países com maior risco jurídico.”
O Brasil, historicamente, depende de capital externo para grandes projetos de infraestrutura, energia e indústria. Se o fluxo diminui, o ritmo de investimento desacelera.
Estados como Rondônia, que dependem de recursos federais e investimentos estruturantes, sentem o reflexo.
Ambiente de negócios em debate
A análise também destacou a importância da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória.
Investidores e empresários precisam de estabilidade para assumir riscos. Mudanças frequentes de regras, aumento de obrigações acessórias e decisões tributárias controversas aumentam o custo de fazer negócios.
O economista foi enfático:
“Sem um ambiente de negócios favorável, não há desenvolvimento sustentável.”
Essa afirmação conecta diretamente com o debate sobre a reforma tributária. Simplificação pode ser positiva no longo prazo, mas, no curto prazo, o excesso de complexidade e incerteza pode travar decisões empresariais.
O impacto em Rondônia
Embora Rondônia apresente crescimento acima da média nacional, impulsionado pelo agronegócio, o estado não está isolado do cenário macroeconômico.
A dependência de cadeias primárias, como soja e carne, torna a economia regional sensível a fatores externos, como preço internacional, câmbio e logística.
Se o Brasil cresce pouco, o consumo interno desacelera. Se há instabilidade global, exportações podem sofrer.
O resultado é um ambiente de cautela.
Empresários adiam investimentos. Consumidores reduzem gastos. O ciclo econômico perde dinamismo.
O desafio à frente
O Brasil enfrenta um dilema clássico de economias emergentes: precisa crescer para equilibrar contas públicas, mas depende de estabilidade fiscal e confiança para crescer.
A equação exige:
Controle responsável das despesas públicas
- Segurança jurídica
- Estímulo à produtividade
- Melhoria da infraestrutura
- Planejamento estratégico de longo prazo
Sem esses pilares, o crescimento tende a ser episódico, não estrutural.
O alerta do economista não é pessimista — é técnico. O país tem potencial, mas precisa alinhar política fiscal, ambiente regulatório e estratégia de desenvolvimento.
Enquanto isso, empresários e investidores seguem atentos.
Porque em economia, previsibilidade é ativo — e incerteza tem custo.
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Fonte: Cacoal Notícias