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Energia solar sem investimento inicial ganha força no Brasil e transforma custos em estratégia
Entenda as mudanças no setor elétrico brasileiro e como elas impactam o agronegócio e os negócios urbanos

Por Redação
Publicado 02/02/2026
Atualizado 02/02/2026
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Apresentado por Isaías Sena, o Podcast RuralCast dedicou um episódio especial a um dos temas mais estratégicos da atualidade: energia solar, mercado livre de energia e as novas possibilidades de redução de custos para produtores rurais e empresários. O convidado foi Marcelo Renê, da Energy Libra, profissional com sólida trajetória técnica e ampla experiência no setor elétrico brasileiro.

Marcelo é formado em Eletrotécnica pelo SENAI Ari Torres (São Paulo), possui graduação em Engenharia de Produção pela Universidade Nove de Julho, especialização em Transição Energética pela PUC Campinas e pós-graduação em Gestão Empresarial pela FGV Rondônia. Ao todo, soma 21 anos de experiência no setor elétrico, sendo quase oito anos dedicados diretamente à energia solar, unindo conhecimento técnico, visão estratégica e forte domínio comercial.

Durante a conversa, conduzida por Isaías Sena, o especialista apresentou uma leitura clara sobre o momento atual do setor elétrico brasileiro e os caminhos que estão se abrindo para quem busca eficiência energética e economia real.

Energia solar deixa de ser custo e passa a ser estratégia

Logo no início do episódio, Marcelo destacou que a energia solar passou por uma mudança profunda de conceito. Segundo ele, o setor deixou de vender apenas equipamentos e passou a oferecer soluções completas de gestão energética.

“Hoje não falamos mais apenas de placa solar. Falamos de gestão inteligente de energia, onde consumo, geração e armazenamento são planejados para reduzir custo e aumentar eficiência”, explicou.

De acordo com o especialista, os modelos atuais permitem que produtores e empresários não precisem investir recursos próprios, começando a pagar somente após a economia aparecer na conta de energia.

Mercado Livre de Energia amplia autonomia do consumidor

Um dos pontos centrais do podcast foi o Mercado Livre de Energia, modelo que permite ao consumidor escolher de quem comprar energia, em vez de ficar restrito à distribuidora local.

Marcelo explicou que empresas e produtores atendidos em alta tensão já podem migrar para esse modelo, obtendo economias significativas.

“O mercado livre permite uma redução média de até 35% na conta de energia, sem investimento inicial. O empresário continua usando a rede da distribuidora, mas compra energia de quem oferece melhor preço”, afirmou.

Segundo ele, esse sistema já é realidade em diversos países e o Brasil caminha para uma abertura cada vez maior do setor.

Nova legislação muda o cenário a partir de 2026

O episódio também abordou as mudanças regulatórias recentes, que impactam diretamente o setor elétrico. Marcelo explicou que a nova legislação estabelece um calendário de abertura gradual do mercado, incluindo consumidores residenciais, comerciais e rurais.

“A modernização do setor elétrico é um caminho sem volta. A legislação está organizando essa abertura e ajustando incentivos para equilibrar o sistema”, destacou.

Ele alertou que quem migrou antes das mudanças mantém direitos adquiridos, enquanto novos contratos seguem regras diferentes, tornando essencial a análise técnica antes da decisão.

Armazenamento de energia com baterias ganha protagonismo

Outro tema de destaque foi o uso de baterias para armazenamento de energia, conhecidas como sistemas BESS (Battery Energy Storage System).

“O sistema de baterias garante segurança energética. Ele reduz oscilações, evita quedas de energia e pode substituir ou complementar geradores a diesel, especialmente no meio rural”, explicou Marcelo.

Essa tecnologia é estratégica para atividades como silos, secadores, ordenha e irrigação, onde a interrupção de energia gera prejuízos imediatos.

Aplicações práticas no meio rural

Marcelo ressaltou que o setor rural se beneficia diretamente da combinação entre energia solar, mercado livre e armazenamento.

“O produtor pode usar a energia solar no momento do pico de consumo, reduzir a compra de energia da rede e, consequentemente, diminuir tributos. Isso impacta diretamente no custo de produção”, afirmou.

Segundo ele, cada propriedade exige um estudo personalizado, considerando perfil de consumo, atividade produtiva e viabilidade econômica.

Modelos de negócio sem investimento inicial

Um dos pontos que mais chamou atenção foi a explicação sobre modelos de negócio em que o cliente não precisa investir nada no início.

“A maior barreira da energia solar sempre foi o capital inicial. Hoje, em muitos projetos, esse problema deixou de existir”, destacou.

Nesses modelos, a empresa investe, instala, opera e mantém o sistema, enquanto o cliente começa a pagar somente após comprovar a economia. Também existe a possibilidade de compra antecipada do ativo ao longo do contrato.

Associações rurais como facilitadoras do acesso à energia

O podcast também destacou o papel das associações rurais como instrumento para viabilizar projetos coletivos.

“Quando produtores se unem, é possível criar projetos maiores, diluir custos e levar energia mais barata para quem, sozinho, não conseguiria investir”, explicou Marcelo.

Essa estratégia fortalece o associativismo e amplia o acesso às novas tecnologias energéticas no campo.

Energia solar como caminho irreversível

Ao longo da conversa, Marcelo foi enfático ao afirmar que o setor elétrico caminha para um modelo mais aberto, tecnológico e competitivo.

“Assim como aconteceu com a telefonia e a internet, a energia está passando por uma transformação. Quem se antecipa reduz custos e ganha competitidade”, afirmou.

Para ele, a energia solar deixou de ser apenas uma pauta ambiental e se tornou uma decisão estratégica de negócio.

O episódio completo está disponível no Podcast RuralCast, com distribuição multiplataforma.