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Embargos ambientais por satélite avançam e exigem atenção redobrada do produtor rural

Por Redação
Publicado Há 2 h

O avanço da tecnologia aplicada à fiscalização ambiental tem transformado a relação entre produtores rurais e os órgãos de controle. Em Rondônia, o uso de imagens de satélite para identificação de desmatamentos e inconsistências ambientais tem resultado em um número crescente de embargos automáticos, muitas vezes sem que o produtor compreenda exatamente a origem do problema.

O tema foi amplamente discutido no podcast RuralCast, da Rede Amazun, em entrevista com o geógrafo e analista ambiental Talles Evangelista, especialista em geoprocessamento e regularização de imóveis rurais.

Ao longo da conversa, Talles explicou como funciona esse novo modelo de fiscalização, quais são os principais erros cometidos pelos produtores e como a tecnologia pode ser usada como aliada — e não como inimiga — da produção rural.

Fiscalização ambiental sem presença física na propriedade

Um dos pontos centrais abordados na entrevista foi a mudança no formato da fiscalização ambiental. Atualmente, grande parte dos embargos ocorre sem a necessidade de vistoria presencial, com base apenas no cruzamento de dados digitais.

Segundo Talles, imagens de satélite de alta resolução são comparadas com informações declaradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Quando o sistema identifica divergências, como supressão vegetal não autorizada ou inconsistências nos limites da propriedade, o embargo pode ser gerado automaticamente.

“Hoje, a fiscalização acontece à distância. O produtor muitas vezes só fica sabendo quando o embargo já está lançado no sistema”, explicou.

Essa realidade exige um novo nível de atenção por parte dos produtores, especialmente em relação à qualidade das informações declaradas nos cadastros oficiais.

O papel do CAR e as inconsistências mais comuns

Outro tópico amplamente discutido foi o Cadastro Ambiental Rural (CAR), considerado a principal base de dados utilizada pelos órgãos ambientais.

De acordo com Talles Evangelista, muitos problemas surgem não por má-fé, mas por erros técnicos no preenchimento, como:

delimitação incorreta da área do imóvel;

sobreposição com áreas vizinhas;

erro na identificação de áreas de preservação permanente (APP);

inconsistências entre a área real e a área declarada.

Essas falhas, quando cruzadas com imagens atualizadas de satélite, podem gerar alertas automáticos e resultar em embargos ambientais.

“O CAR é declaratório, mas isso não significa que ele não será conferido. Pelo contrário, hoje ele é constantemente auditado por sistemas automatizados”, ressaltou.

Geoprocessamento como ferramenta de defesa do produtor

Durante a entrevista, Talles destacou que o geoprocessamento não deve ser visto apenas como instrumento de fiscalização, mas também como uma poderosa ferramenta de defesa e planejamento para o produtor rural.

Com o uso correto de mapas, imagens e dados georreferenciados, é possível:

identificar inconsistências antes que se tornem autuações;

corrigir erros no CAR;

planejar o uso da terra de forma mais eficiente;

comprovar a regularidade ambiental da propriedade.

Segundo o especialista, produtores que investem em informação técnica conseguem reduzir riscos, evitar prejuízos e ganhar segurança jurídica.

Regularização ambiental e segurança jurídica no campo

Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a relação entre regularização ambiental e segurança jurídica. Embargos ambientais impactam diretamente o acesso a crédito rural, financiamentos bancários, comercialização da produção e até sucessão familiar.

Talles explicou que a regularização não é apenas uma exigência legal, mas uma estratégia de proteção patrimonial.

“Sem regularidade ambiental, o produtor fica vulnerável. Regularizar é garantir que a propriedade continue produzindo hoje e no futuro”, afirmou.

O processo de regularização envolve análise técnica, atualização de cadastros, correção de passivos ambientais e, em alguns casos, adesão a programas de recuperação ambiental.

Tecnologia como aliada da produtividade e da preservação

Outro tema abordado foi a falsa dicotomia entre produção e preservação ambiental. Para Talles Evangelista, a tecnologia permite conciliar as duas coisas.

O uso de dados geoespaciais possibilita:

melhor aproveitamento da área produtiva;

redução de riscos ambientais;

aumento da produtividade sem necessidade de novos desmatamentos;

planejamento sustentável de longo prazo.

Segundo ele, produtores que utilizam tecnologia conseguem produzir mais, com menos impacto e maior controle sobre suas áreas.

Informação clara como principal ferramenta de prevenção

Ao longo do episódio, ficou evidente que a falta de informação acessível ainda é um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores rurais. Muitos só buscam ajuda técnica quando o problema já está instalado.

Talles reforçou a importância de buscar orientação preventiva, compreender os sistemas ambientais e manter a documentação atualizada.

“O maior erro é achar que o problema nunca vai chegar. Hoje, quem não acompanha seus dados está sempre um passo atrás da fiscalização”, alertou.

 

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